segunda-feira, 18 de março de 2013

Garçom: Chuva

Uma saudade sem igual. É muito engraçado se achar perturbado pela não ida a um lugar. Acordei assim. Acordo assim.

Mesmo com a chuvinha que teimava em cair desde a madrugada, decidi não mais incentivar meu afastamento daquele lugar. Faz um bom tempo desde a última olhada.

Graças aos céus, não tinha o que reclamar da geladeira, mas já estava até imaginando o sabor das maravilhas que só na mesa oito eu consigo sentir. Calcei bem os sapatos, armei o guarda-chuva e andei o mais rápido que pude. 

Comecei então a pensar se não seria essa chuva uma velha amiga que só queria o meu bem, afinal, graças a ela eu consegui chegar mais rápido do que imaginara naquele lugar. Olha! Mudaram a cor da fachada! O lugar ficou ainda mais belo por fora nestes tons de azul...

... E eu ansiava para ver como estaria por dentro.

Fecha o semáforo e eu consigo atravessar a rua. Tão cedo seria realmente inimaginável encontrar alguém na "minha" mesa. Vazia, ela me esperava.

Vi dois ou três rostos novos, todos os outros eu já conhecia. Aquilo me era encantador, recebia, de todos os lados, um "bom dia", o que me mostrava que a delicadeza ainda tomava conta daquele lugar.

Como sempre, ainda que agora com um certo tempo de espera, sentei-me ao ar livre, no bom e velho cantinho de sempre. Confesso que ao chegar não esperei ser servida, ou algo do tipo, talvez apenas tenha pensado como seria bom sair um pouco de casa e observar o mundo. Ainda assim, ao contemplar o distinto menu em minha frente, comecei a folheá-lo, mesmo que sem atenção.

Mas, depois de todo esse tempo, confesso mesmo que o que eu mais almejava era uma sugestão para aquela chuvosa manhã de segunda-feira. Mas não qualquer uma...

Mal termino de pôr em ordem os pensamentos e ele surge. Quase que falo um "assim não vale", pois naquela mesma hora, até o que eu pensara em pedir voou, subitamente, de meus pensamentos. 

Um sorriso sem igual começa a vir ao meu encontro. Daqueles que fizeram com que eu ficasse paralisada, conseguindo, apenas, sorrir de volta. Boa sensação...

O dono do sorriso, então, ao se aproximar, vai abrindo seu bloco de anotações e perguntando se a "dona" da mesa oito ainda aceita sugestões. E como não? Ainda que realmente quisesse pedir algo, era impossível não aceitar o que só aquele lugar tinha a me oferecer. Com outro sorriso, disse que sim.

Era de se esperar, nunca fui decepcionada por aquele garçom ou aquele lugar. Em companhia aos biscoitos matinais, veio uma bebida quente que proporcionou o calor necessário para aquele momento. 

Para mim, uma bebida quente numa manhã fria
Para ele, de acordo com suas próprias palavras, nada melhor que uma bebida quente para evitar o choque térmico com uma alma ardente.

Sem dúvidas, voltarei.


1 Comentários ●๋•:

Edneide Ramalho disse...

Que lindo amigaaaaaaaaaaaa.
Tu arrasa demais :)
Saudades nível infinitooooooooo.

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